Restauração do Museu de Caeté tem o primeiro acompanhamento arqueológico histórico/urbano da cidade

Poeira nos corredores, paredes renovadas, pinturas em andamento e instrumentos em áreas que antes eram ocupados por exposições e móveis. Esta é a atual realidade do museu. O que se vê são técnicos e operários trabalhando na restauração. Ao todo são 26 trabalhadores participando, e dentre eles, 3 são arqueólogos que acompanham a obra: Alenice Baeta, Henrique Piló e Luiz Fernando Miranda são responsáveis por monitorar o trabalho, evitando que qualquer estrutura encontrada seja descartada como lixo.

Construído no final do século 18, o Museu Regional de Caeté já foi casa do Barão de Catas Altas João Batista Ferreira Coutinho. O edifício se tornou oficialmente museu, no dia 17/01/1979.

Houve uma restauração no museu, sem acompanhamento arqueológico, em 1979, que causou um efeito devastador para a história do local. Segundo a arqueóloga Alenice Baeta, se em 1979 tivesse sido disposto um  acompanhamento com equipe arqueológica, essa obra atual seria repleta de peças integras. Mas o que foi recuperado é um sedimento muito revirado. “A lei de patrimônio arqueológico é de 26 de julho de 1961, então não tem desculpa para não ter tido acompanhamento arqueológico na obra de 1979”, ressaltou Alenice.

Os materiais encontrados no museu são limpos devidamente e analisados para identificar sua época. No final da obra, tudo será inventariado. As peças mais interessantes serão selecionadas para exposição, e o restante ficará acondicionado numa reserva técnica do local.
“Mesmo com tudo isso, nossa equipe esta encontrando muitas peças fragmentadas do século 18, 19 e 20: frascos de remédio e de perfume, tinteiro de gres (peça mais completa encontrada na reforma), bolinhas de gude, peças inglesas, pedaços de porcelana, ferragens, peças pintadas a mão, materiais para tratar animais e peças que não são mais fabricadas”, reforçou a arqueóloga.

Laboratório Artefactto na obra de restauração do museu de Caeté.

De acordo com Alenice, a primeira coisa feita antes de iniciar a obra, foi promover um treinamento de formação para todos os técnicos e operários envolvidos. “Realizamos palestras, mostramos para eles a importância deste trabalho arqueológico. Demos uma série de exemplos de Belo Horizonte, Ouro Preto e Mariana, sobre a nossa conduta, que ocorreram também ao lado da empresa Germec Construções que, aqui no museu, contratou trabalhadores de Caeté para integrar nossa equipe de restauração”, informou.

As escavações ao redor do museu foram feitas para a instalação do SPDA (Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas), que ajuda e evita o impacto das descargas, que podem ocasionar incêndios, danos materiais e risco à vida. Segundo o encarregado de obra da Germec Construções, José Luiz, 41, a reforma do museu completou 1 ano dia 26 de Dezembro, e pelo cronograma, os trabalhos devem ser concluídos em mais 3 ou 4 meses.
“A restauração vai desde as pedras, até o telhado, mas sempre buscamos preservar cada peça encontrada e encaminhar aos arqueólogos. A única coisa diferenciada é a parte elétrica, em razão da instalação das câmeras por todo o museu, e do elevador, no qual os visitantes terão, como visão, a parede de pau a pique ao fundo com um vidro protetor” informou José Luiz.

Para manter a história do local, antes da retirada das grandes pedras do chão, para a instalação do SPDA, os arqueólogos identificaram as localizações de cada uma delas com decalque, ou seja: Em um papel transparente amarrado no chão, desenharam a posição de cada pedra, que foi adesivada de acordo com a numeração descrita no papel.

No momento de recolocação das pedras no chão, eles saberão quais as disposições em que estavam antes. Para a arqueóloga Alenice Baeta, um bem tombado, do século 18, de grande importância na cidade e no Brasil, merece o máximo cuidado em qualquer intervenção. “O Museu Regional de Caeté é o pioneiro em pesquisa arqueológica histórica-urbana na cidade. Encontramos coisas lindas, antigas e muito significativas, e espero que essa restauração seja um exemplo para as próximas obras em monumentos tombados em Caeté”.

Tayná Tavares

Fonte: Jornal Opinião Ano 51 Número 2538 – Caeté/MG 28/12/2017

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